Pois é... Poderia cultivar o sentimento de "Ah! Que pena que acabou...", mas resolvi prolongar ainda um pouco mais a sensação de que o mundo é muito grande e não vai dar tempo de conhecer tudo, mas estou tentando... e curtindo.... e a-dorando!
Já há quase uma semana de volta, ainda não sei exatamente como começar este post. E isso é o resultado de passar um tempo com um monte de tempo livre - em que o maior dilema é se paramos agora para tomar um café, ou cerveja e vinhos nacionais, ou se caminhamos um pouco mais?!?
Enfim, vou tentar inciar pelo começo. Isso deve facilitar contar tudo como uma histórinha (certo, LAM? rsss).
No meio de uma crise aérea danada, e eu jurando que nosso vôo não sairia na hora, encaramos o desafio de peito aberto. Curiosamente embarcamos no horário para Praga, na República Tcheca, com conexão em Paris. Parenteses: é incrível como quando a conexão é em Paris, aceitamos isso bem!!
Porém, conta comigo:
- 3h00 de antecedência no aeroporto
- 11h00 de vôo SP / Paris
- 3h00 de intervalo na conexão (imigração, alfandega, malas, novo check in)
- 1h30 de vôo Paris / Praga
- 0h30 de taxi do aeroporto para o hotel
- 5h00 de fuso horário (+)
Total: 24 horas!!!!!!!
Ou seja: já é noite por aqui.
Na porta do hotel um bilhete dizia "Mr. Mallamo. Please call xxxx." Obedecemos e a partir dai, um cena de filme: digite a senha no painél eletronico ao lado da porta, entre, suba a escada, 03 passos para a direita, um enorme painél com folhetos turisticos, procure os de locação de carro e, atrás, um envelope com a chave do nosso quarto. Fiquei imaginando que junto com a chave teria outro bilhete com a informação: a descrição desta missão se auto-destruirá em 30 segundos. hehehehe
Mas estava tudo certo. A recepção do hotel fecha as 18 horas e o check in foi feito no momento do check out! Assim são os tchecos!
Praga é linda!!! Facinho imaginar porque é que ela foi palco de inúmeras disputas, porque é que todo mundo a queria. Lembrar que há muito pouco tempo este país vivia isolado do resto do mundo, parece acrescentar um charme enorme ao astral do lugar.
Relembrar um pouco da história do País reforça ainda mais o encanto da sua capital, e nos ajuda a entender porque é que ela parece um mágico cenário.
A chamada Revolução de Veludo, movimento pacífico liderado pelo atual presidente, Vaclav Havel – que, aliás, é dramaturgo, encerrou em novembro de 1989 um período de 41 anos de comunismo no país. A população da antiga Tcheco-Eslováquia ocupou a praça Venceslau, em Praga, para restaurar a liberdade. Mais de 1 milhão de pessoas participaram de protestos diários contra o antigo regime. A República Tcheca, criada a partir da separação também pacífica da Eslováquia três anos depois, adotou o capitalismo e privatizou suas empresas estatais.
Fazendo fronteira com Alemanha, Polônia, Áustria e Eslováquia, a República Tcheca é uma das economias mais desenvolvidas dentre os países do extinto bloco soviético. Praga surgiu a partir da construção de um castelo e da cidadela ao seu redor, no século 9. No interior das muralhas de pedra, três igrejas e um mosteiro simbolizavam o poder feudal representado por três dinastias que dominaram a região.
Praga é hoje dividida em seis bairros, denominados “cidades”: do lado direito do Rio Vltava, Josefov (Bairro Judeu), Staré Mésto (Cidade Velha, onde está o centro), Nové Mésto (Cidade Nova) e Vysehrad. Do esquerdo, Malá Strana (a Cidade Pequena ) e Hradcany (onde fica o castelo).
A briga pela atração mais emblemática da cidade é grande: a Ponte Carlos ou o Relógio Astronômico - um monumento do século 16 que mostra a rotação do sol, da lua, as estrelas, além de funcionar como calendário com os signos do zodíaco – diz a lenda que o relojoeiro que o construiu foi cegado para que não pudesse mais construir outro relógio parecido com esse (a cada hora exata, duas janelinhas se abrem para uma pequena procissão dos apóstolos de Jesus; ao lado do mostrador, na fachada, figuras alegóricas representam os vícios e os medos, o humano e o divino).
Não consigo dizer qual é a mais conhecida, nem medir em qual delas a quantidade de turistas é maior.
Recebemos inúmeras recomendações para ir até a ponte bem cedinho, antes dos turistas “tomarem” completamente o espaço. Mas, posso dizer? Aquela muvuca de gente, misturada com os artistas, os músicos e as barracas que vendem bijouxs, quadros, esculturas, brinquedos de madeira é um show a parte. É verdade que a gente não consegue curtir com muita exatidão as 30 estátuas que ladeiam a ponte, mas dá prá sentir a cidade pulsar ali! E a vista do rio Vltava é sublime.
E um dos muitos, muitos teatros da cidade, fomos assistir Don Giovanni, tradicional espetáculo de teatro de marionetes na cidade. Fofo!
Do outro lado do rio, o Castelo de Praga, situado no alto de uma colina, sempre representou o poder do estado Tcheco. Conhecemos toda a cidade a pé e atravessamos a ponte, por puro prazer, umas 03 vezes por dia (viu, Paula?!?! rssss), mas para ir até o Castelo sucumbimos ao metrô – com a escada rolante mais íngreme que já vi, limpo e eficiente.
Mas não pense que o transporte te coloca na porta do castelo, não. Ao sair da estação é SÓ subir uma escadaria enorrrrrrrrme até o alto da colina. Uma dica de como não perceber o esforço? Ir curtindo a vista. É um show a parte.
O castelo é na verdade um pequeno burgo, onde fica o Palácio Real, a estonteante Catedral de São Vito e a casa de Franz Kafka – na chamada Ruela Dourada.
À noite, sem a multidão de turistas nas ruas, um clima misterioso toma conta da cidade e é difícil resistir a tentação de dizer que o clima torna-se kafkiano e não é sempre que podemos nos sentir em uma atmosfera kafkaniana estando na terra natal de Franz Kafka. Chiquérrimo!!!
Dava pra ficar horas escrevendo sobre a cidade, os detalhes dos edifícios, os nomes curiosos das mansões que contornam a praça da Cidade Velha, com brasões e esculturas e estátuas nas fachadas. Aliás, a cidade inteira tem construções lindíssimas, e se perder pelas ruelas é a melhor dica que eu daria para quem vai conhecer a cidade. Olhando para cima, para frente, para os lados e até para o chão.
E se perder é a coisa mais fácil. Nem adianta tentar se orientar pelas placas: absolutamente incompreensíveis!
Finalmente, uma observação indispensável: o povo tcheco! Amáveis e hospitaleiros. Se isso não é verdade, era assim que eu estava disposta a senti-los – por que entendê-los, nem pensar. ;)
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